Rossi, mania nacional - Coluna Extra

Primeiro Digital - o blog do jornalista Alexandre Gonçalves

Destaques do site Farol Reportagem

Destaques do Laranjas - A verdade até as primeiras consequências

sábado, 21 de dezembro de 2013

Rossi, mania nacional

Cresci ouvindo rádio AM e discos dos anos 70 tipo “As 14 mais da parada” e ali sempre estiveram presentes nomes como Odair José. Sempre vi e ouvi muito mais virtudes que defeitos na tal música brega. Brega é antes de tudo uma música sincera que chega a ser desconcertante pelos temas e rimas improváveis. “Uma vida só (Pare de tomar a pílula)”, “Vou tirar você desse lugar” ou “Secretaria da beira do cais” são exemplos disso. E para deixar o pacote ainda mais divertido, tudo isso vem embalado por melodias que remetem ao “estilo” Jovem Guarda.

Jovem Guarda que é ponto de partida na carreira de Reginaldo Rossi, na época, um dos muitos artistas de fora do eixo Rio-São Paulo que buscavam um lugar ao sol no cenário musical brasileiro no rastro de Roberto, Erasmo e Wanderléia. Mas se Rossi não “aconteceu” nacionalmente na época, o mesmo não dá para dizer do que se viu anos depois.

Não é exagero afirmar que Reginaldo Rossi fez a legítima música brega voltar à mídia quando virou mania nacional com o sucesso alcançado com “Garçom”, de 1987. Ele recolocou a música brega no seu merecido lugar, distante de termos pejorativos como “sinônimo de música ruim” e de estilos pegajosos como o “sertanejo romântico” e do “pagode romântico” que tomaram conta do país naquele período (meados dos anos 80, começo dos 90).



Com “Garçom”, mas também com novas versões para “A raposa e as uvas”, “Leviana” e “Mon Amour, Meu bem, Ma Femme”, outros grandes sucessos de sua carreira, Rossi ganhou uma justa projeção e é tão representativo na música brega quanto o já citado Odair José, Waldick Soriano e Amado Batista. E reis do brega podem existir muitos, mas nunca houve nenhum com a sagacidade de Reginaldo Rossi.







E longe do chavão “se ser brega é ser romântico, então eu sou brega”, ouvir e curtir as canções de Reginaldo Rossi não é necessariamente uma questão de gosto, mas sim de estado de espírito: você está ou não disposto a se divertir?

Texto que escrevi a edição deste fim de semana do jornal Notícias do Dia, como retranca da reportagem Músicos da Grande Florianópolis lamentam a perda de Reginaldo Rossi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário