Raul na tela do cinema - Coluna Extra

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Raul na tela do cinema

Entre tantos documentários musicais lançados nos últimos nos cinemas brasileiros (Arnaldo Baptista, Herbert Vianna, Wilson Simonal, Caetano Veloso, Titãs...) faltava justamente ele, Raul Seixas, que na infância sonhava virar artista de Hollywood, chegar à telona. E chegou - em Florianópolis com o costumeiro atraso - com Raul: O início, o fim e o meio, do diretor Walter Carvalho (Cazuza - o tempo não pára, Budapeste, Janela da Alma).

Por mais que já tenha sido contada em livros e em documentários para TV, impossível não ser impactado mais uma vez pela história de Raulzito. Foi com essa sensação que sai da cabine de imprensa do documentário realizada pela manhã hoje no Cinesystem do Iguatemi aqui de Florianópolis. Vi na tela o grande artista da música brasileira e sua imensa lista de clássicos e o homem apaixonado comprovado pelos depoimentos de suas ex-esposas. Também estava lá o mito, o místico, o contestador, o provocador, o ecologista, o parceiro, o filho, o irmão, o amigo e o pai. Pena que também vi o Raul engolido principalmente pela bebida, o que o levou ao ostracismo e posteriormente à morte.

Raul: O início, o fim e o meio estará nas salas de cinema de Florianópolis a partir desta sexta-feira.



Segue a sinopse do documentário e logo a baixo o trailer oficial.

Na infância, Raul Seixas cultivou duas paixões: a música e o cinema. Seu sonho era acabar em Hollywood, fazendo um filme. Adolescente, já fumante e sem dispensar uma birita, assistia a sessões contínuas de Balada Sangrenta (King Creole), com seu ídolo Elvis Presley. Ao lado de outros adolescentes, Raulzito foi um dos fundadores do primeiro clube de rock do Brasil – o Elvis Rock Clube, em Salvador. Começava a nascer o mito que mudaria os rumos da MPB.

Em 1968, lançou seu primeiro álbum,
Raulzito e Os Panteras. O entusiasmo de Raul pelo rock coincidia com uma época efervescente de contracultura. Nas telas, Easy Rider, com Peter Fonda e Dennis Hopper contestava o establishment e convidava alternativos de várias bandeiras a colocarem o pé na estrada. Com musicalidade inovadora, Raul começou a celebrar o casamento do baião com guitarra elétrica, de Luiz Gonzaga com Elvis Presley.

Raul: O início, o fim e o meio constrói o percurso artístico e pessoal de um dos músicos mais originais do país, que explodiu para o país no Festival Internacional da Canção de 1972 com “Let me sing, let me sing”. Em 1973, ele lançou um dos seus maiores sucessos – “Ouro de Tolo” – crítica sutil e sofisticada à ditadura militar e ao milagre econômico. No ano seguinte, tem início a parceria com Paulo Coelho, então símbolo da contracultura. Ambos criam uma espécie de Sociedade Alternativa, inspirada nas pregações do bruxo inglês Aleister Crowley. A dupla foi presa, Raul passou um período exilado nos Estados Unidos e voltou ao Brasil.

O baiano magro, cabeludo, inquieto e irreverente passou por várias metamorfoses ao longo de sua carreira que, apesar de altos e baixos, angariou a fidelidade de fãs. Com apenas com um álbum,
Gita, chegou a vender 600 mil cópias.

Capítulos como drogas, misticismo, magia negra, problemas de saúde decorrentes da bebida são abordados através de 50 depoimentos. Entre os entrevistados estão familiares (o irmão Plínio Seixas), amigos de adolescência (Waldir Serrão), admiradores (Caetano Veloso, Pedro Bial), e parceiros, como Paulo Coelho e Marcelo Nova, este responsável pela realização de 50 shows pelo país nos últimos meses de vida. A conturbada vida pessoal é lembrada através de depoimentos corajosos e surpreendentes de ex-duas esposas (Edith e Glória), três ex-companheiras (Tânia, Kika e Lena), três filhas e um neto.

Falecido prematuramente aos 44 anos em 1989, o músico deixou uma legião de fãs de várias gerações, sempre disposta a disparar um “toca Raul” em shows através do país. A data de sua morte, 21 de agosto, é celebrada, anualmente, com uma passeata em São Paulo. É o artista morto que mais vende discos no país – cerca de 300 mil por ano.


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