O jornalista que não se encontra
O mercado para jornalistas é bastante restrito em Florianópolis. São poucas as empresas de comunicação e a oferta de vagas não acompanhou o aumento na oferta de cursos de jornalista na região nos últimos anos. E para completar o cenário, há uma demanda que começa a surgir e que está sendo difícil de suprir: o jornalista que sabe usar mídias sociais como forma de enriquecer coberturas, projetos especiais e conteúdo de sites e blogs informativos ou institucionais. Não basta ter conta no Twitter ou no Facebook. Xinga muito no Twitter, mas não sabe criar uma lista, gerar um módulo e colar num post? Sabe cutucar no Facebook, mas não sabe criar uma fanpage e dar uma utilidade para ela? Tem que conhecer profundamente todas as possibilidades das mídias sociais e saber como aplicá-las profissionalmente.
Escrevo isso porque, pela segunda vez neste ano, estou ajudando amigos de uma empresa aqui de Florianópolis a encontrar um jornalista com estas características. E é difícil. Ou falta experiência como jornalista ou falta vivência e conhecimento em mídias sociais. Não há muito mistério nisso. Não há mudança nas características do jornalista nem na forma de praticar o jornalismo. É apenas um novo momento da profissão que exige um pouco mais de qualificação e de interesse do colega em adicionar novas “tags” à sua rotina.
Como este tem sido meu trabalho nos últimos anos - produção e gestão de conteúdo com uso de ferramentas de mídias sociais - a ajuda para encontrar profissionais com o mesmo perfil tem sido quase que uma cruzada para abrir mercado. Não me importo em estimular a concorrência. Muito pelo contrário. Quanto mais colegas atuando na área - com qualidade -, melhor. Mais visibilidade, mais trabalhos, mais oportunidades.
Para os colegas jornalistas, fica a sugestão: conhecer e aprender a usar as mídias sociais profissionalmente já faz diferença no currículo. E lembro entre as propostas incluídas no programa da nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que já tomou posse e da qual faço parte, está a criação de um núcleo de webjornalismo para reunir os colegas que atuam na área e discutir questões referentes a esta atividade.





Durante o fim de semana li Osmar Santos - O milagre da vida, a biografia do maior narrador esportivo do rádio brasileiro. Osmar sofreu um acidente automobilístico no final de 1994 e, mesmo tendo uma recuperação surpreendente, não pôde retomar sua carreira por causa dos danos causados em seu cérebro que praticamente lhe tiraram a capacidade de falar (trágica ironia).


Como praticante da gestão/organização de conteúdo disponível na internet, acredito que esta seja realmente uma estratégia de sucesso na (atual) internet. Não descarto a produção de conteúdo, muito pelo contrário. Mas é inegável que já existe uma quantidade imensa de posts, vídeos, fotos, etc. espalhados pelos mais diversos canais (internos e externos), que podem ter grande qualidade, mas correm o risco de cair num limbo, sem conquistar a visibilidade merecida. 




