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domingo, 30 de janeiro de 2011

Sobre “Prateleira de livraria aceita tudo”

Meu amigo e compadre Victor Carlson, deixou um comentário no post Prateleira de livraria aceita tudo, que reproduzo abaixo. É a opinião de quem, há alguns anos, trata frequentemente com livrarias e distribuidoras por conta dos livros-fotográficos da Lagoa Editora. Leia o que escreveu o Victor e fique à vontade para comentar também.
Os livros estão sempre “na vista” porque as pessoas procuram essas “obras”. É preciso entender dois aspectos. Primeiro, infelizmente, as livrarias não são redutos de cultura. São pontos de comércio, e como todo o comércio é preciso atender o desejo do consumidor.

Este é segundo aspecto. Não adianta brigar contra o comportamento do consumidor. Livrarias que fizeram isso quebraram. Tem apenas uma em Florianópolis que ainda insiste que livraria é cultura, mas vive sempre mal das pernas e um dia vai quebrar (além do fato de insistir em não abrir sua loja em shopping, onde são vendidos a maioria dos livros no Brasil).

Se as pessoas, em sua maioria, querem comprar auto-ajuda, literatura de vampiro, livros vinculados a filmes de sucesso e de celebridades, é isso que as livrarias vão oferecer. Não adianta dar destaque para o livro de um Prêmio Nobel (como
Catedral, de Vargas Llosa, por exemplo), se o público está ávido para comprar Stephenie Meyer (autora da saga Crepúsculo).

Tempos atrás reclamei com a gerente de uma livraria que os livros sobre investimento eram todos de auto-ajuda. Fiz algumas indicações de títulos e ela colocou em exposição. Mas não adiantou, o que vendeu foi Gustavo Cerbasi.

Redutos de cultura devem ser as bibliotecas de escolas e universidades. Ainda assim, muitas pessoas também compram bons títulos, como os livros do Laurentino Gomes e do Leandro Narloch (jornalistas para variar; historiador não sabe escrever livro!). Prova de que há pessoas que sabem escolher seus títulos neste universo cercado de Geisy (vulgar não). Nem sei quem é Narcisa Tamborindeguy!?


Victor Carlson
jornalista, fotógrafo e editor

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