Manual para o jornalista por conta própria - Coluna Extra

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Manual para o jornalista por conta própria

Manual do Frila é o título do livro que meu amigo Maurício Oliveira, jornalista formado na UFSC, lança no próximo dia 4, 18h30min, na Saraiva do Shopping Iguatemi, em Florianópolis. O livro é fruto da experiência do Maurício como jornalista free-lancer, depois de uma carreira com passagens por diversos veículos em Santa Catarina e São Paulo - experiência esta que ele já compartilha no blog Vida de Frila. No clima do lançamento do Manual do Frila (em São Paulo, será dia 18), fiz uma pequena entrevista por e-mail com o Maurício, abordando algumas questões para o jornalista que decide ser um jornalista por conta própria (a citação que o Maurício faz no final da entrevista a um tal de Alexandre Gonçalves foi gentileza da parte dele, não por acaso chamado pelos amigos de Bomrício).

Coluna Extra - Qual o perfil do profissional free-lancer que as empresas de comunicação mais procuram?

Maurício Oliveira - Quem precisa de frila quer contar com alguém que seja, antes de mais nada, confiável. Ou seja, que entregue o trabalho dentro do prazo e com um certo padrão mínimo de qualidade. Basta fazer isso para se diferenciar no mercado, por incrível que pareça. Eu conto no livro que o Leonardo da Vinci era frila e vivia postergando a entrega dos trabalhos em nome da perfeição. No nosso mundo do jornalismo, sempre pressionado por deadlines e fechamentos, de nada adianta ser genial se não forem cumpridos os requisitos básicos, sobretudo o prazo. Outro fator importante é a disponibilidade. Um frila precisa fazer o malabarismo que for preciso para só muito raramente dizer “não” a um parceiro frequente.

Coluna Extra - Por onde um jornalista deve começar sua carreira como frila?

Maurício Oliveira - Eu acho fundamental já ter certa estrada para virar frila, pois 90% dos trabalhos vêm de pessoas com as quais você já trabalhou. Quem começa como frila logo depois de formado é isca fácil para picaretas e se mete em inúmeras roubadas. Se é para sofrer, que seja trabalhando em jornais, revistas, assessorias, redações de TV ou rádio, enfim, tendo um emprego formal, pois assim se ganha experiência e vai sendo formada a rede de contatos. Quando você se torna autônomo depois de alguma estrada, o início da trajetória como frila acaba sendo uma espécie de continuação da carreira desenvolvida até ali. Se você atuava como especialista em determinada área, daí é que surgirão os primeiros frilas. Outro aspecto importante é planejar bem a transição do emprego de carteira assinada para a vida de autônomo, sobretudo do ponto de vista financeiro - o ideal é ter uma reserva de grana que sustente pelo menos uns seis meses, pois no começo a vida de frila é muito irregular.

Coluna Extra - Na sua avaliação, qual a importância do ensino do empreendedorismo nas faculdades de jornalismo nos dias de hoje?

Maurício Oliveira - Já fui dar palestras em universidades que tinham a disciplina de empreendedorismo no curso de jornalismo e achei que os alunos estavam muito preocupados com a parte prática - como se monta uma empresa, quanto se ganha, como se constrói o network etc. - e pouco com os aspectos, digamos assim, mais “filosóficos” do jornalismo. Muitos dizem que não vão se submeter aos baixos salários pagos a iniciantes pelos veículos de comunicação, mas é preciso entender que talvez essa seja uma etapa necessária do crescimento profissional. Meu primeiro emprego na área, que durou um ano, foi ganhando R$ 450 por mês no jornal O Estado. Virei frila aos 31 anos, já com dez de carreira e muitos contatos em São Paulo, fonte dos melhores frilas. Quando tenho a oportunidade de conversar com estudantes sobre a vida de frila, sempre reforço esse ponto: ter experiência e contatos construídos naturalmente ao longo da carreira é fundamental para ser bem-sucedido ao se tornar um autônomo ou abrir um negócio próprio.

Coluna Extra - Às vezes parece que virar assessor de imprensa é a única alternativa fora das redações. O que você pensa sobre isso?

Maurício Oliveira - Ser assessor de imprensa certamente não é a única alternativa fora das redações. Há um enorme e desconhecido leque de possibilidades que vai se abrindo para um frila. Hoje, além de escrever para jornais e revistas, eu presto serviços frequentes para editoras de livros e agências de publicidade. Ao longo dos últimos sete anos surgiram trabalhos que nunca imaginei fazer, como percorrer o interior do Pará à procura de personagens para uma série televisiva da Vale ou visitar as capitais do Nordeste para me reunir com autoridades municipais e estaduais e ajudá-las a preencher os relatórios de pré-candidatura à Copa de 2014. Aliás, o livro tem uma definição perfeita sobre isso, feita por um tal de Alexandre Gonçalves: “O jornalista consegue ter uma atuação mais ampla quando se posiciona no mercado como especialista na captação e na formatação de informações. Pensando assim, as oportunidades certamente se multiplicam diante de tantas áreas em que a presença de um profissional especializado em informação é necessária”. É isso aí. Na lata.

Leia o sumário e a apresentação do Manual do Frila.

2 comentários:

  1. Cara, essa tua definição que tá no livro do Mau é muito boa. Eu vivo pregando aos colegas que deveriam se meter, por exemplo, com inteligência competitiva, que é a área que venho atuando há sete anos. Mas não encontro eco algum. Talvez por implique em trabalhar para empresas grandes. E ainda tem muito coleguinha que não venceu o velho ranço ideológico.

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  2. Valeu, Alex! Espero que a gente se veja no lançamento!

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