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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Na rota das videolocadoras

Já vi o cartaz pendurado em videolocadoras: o DVD de O mundo em duas voltas, filme-documentário da família Schürmann, chega no mês de setembro. E aproveitando que a aventura da família está quase chegando em formato DVD, reproduzo abaixo o texto sobre O mundo em duas voltas que escrevi para a edição de maio da revista Pesca, Navegação e Lazer, aqui de Santa Catarina.

Os Schürmann se aventuram nos cinemas

O mundo em duas voltas mostra família de navegadores seguindo a rota que Fernão de Magalhães descobriu em 1519

Passar dez anos no mar, entre 1984 e 1994, parece ter sido pouco para os Schürmann. Três anos depois de retornarem ao Brasil da primeira viagem, a família de navegadores embarcou no veleiro Aysso para uma nova aventura, desta vez baseada na rota feita pelo navegador português Fernão de Magalhães em 1519, que saiu da Espanha rumo à Ásia passando pelo estreito que liga os oceanos Atlântico e Pacífico na Terra do Fogo, extremo sul do continente americano, e que hoje leva o seu nome. “Realizamos um sonho”, diz o comandante Vilfredo Schürmann. Sonho que virou realidade entre 1997 e 2000 e que agora também virou documentário, O mundo em duas voltas, que entrou em exibição nos cinemas brasileiros no último dia 27 de abril.

A idéia de refazer a rota de Magalhães, considerada a primeira volta ao mundo, surgiu ainda na primeira viagem da família, quando estavam saindo da África. Heloísa Schürmann deu um livro sobre a aventura do navegador português ao marido. Foi paixão à primeira leitura. “Por que não fazer?”, pensou Vilfredo. Ele ligou para o filho David, que mora na Nova Zelândia, onde é diretor de TV, e dessa primeira conversa sobre a nova aventura veio a idéia de produzir o documentário. “Quando recebi a ligação deles, estava dormindo e achei que algo ruim tinha ocorrido para me ligarem àquela hora”, conta David. “Mas eles estavam tão empolgados que nem se deram conta do fuso horário”.

Com orçamento total de R$ 2.5 milhões, o documentário de 92 minutos de duração consumiu onze anos de trabalho e envolveu mais de 400 pessoas. David conta que as condições de produção do filme foram totalmente inusitadas. “Éramos eu, minha mãe, meu pai, a Kat, o assistente de câmera, o assistente de produção e o assistente de direção, num espaço de 44 metros quadrados”, diz. “Meus pais confiaram o filme nas minhas mãos e nos depoimentos abriram o coração”. Para Heloísa, a aventura representou um grande aprendizado e, com o filho na direção, ensinou a ser obediente também, brinca. “No dia a dia no barco, a gente cria uma rotina, mas um dia nunca é igual ao outro”, diz.

Os Schürmann partiram de Porto Belo (SC) e seguiram rumo ao Estreito de Magalhães para cruzar o mundo até chegar à Sevilha, na Espanha, de onde Fernão de Magalhães saiu para sua aventura. A viagem dos Schürmann levou 891 dias, percorreu 60 mil quilômetros, passou por 30 países em 4 continentes e 3 oceanos, e resultou em 100 horas de imagens registradas e 400 rolos de filme. No roteiro, Vilfredo e Heloísa, além de cruzarem o cenário inesquecível do Estreito de Magalhães, passaram por lugares paradisíacos como a Polinésia, no Pacífico Sul, onde puderam reencontrar amigos que fizeram na primeira viagem.

O encontro e o reencontro com outras culturas são destacados pelo casal de navegadores como uma das experiências marcantes proporcionadas pela aventura. “Numa viagem como essa, você não acha as respostas, acha mais perguntas”, diz Heloísa. O documentário mostra o contraste entre as culturas como uma ilha que sobrevive de cocos e outra cheia de shopping centers e letreiros luminosos. E também exibe os Schürmann diante de situações chocantes como o ritual de crucificação registrado quando estavam nas Filipinas, na Semana Santa.

Obviamente, nem tudo na viagem foi um mar de rosas. Por isso, o documentário retrata os sustos e momentos difíceis que os Schürmann enfrentaram ao longo do trajeto, como ter piratas à espreita e a fúria do mar. “Nós enfrentamos a pior tempestade no Pacífico Norte”, conta Vilfredo. Mesmo nesses momentos de maior tensão, David mantém-se na sua posição de diretor, registrando tudo. Não por acaso, a primeira cena do filme mostra a família enfrentando uma tempestade à noite, com mar muito agitado e muitos raios compondo o cenário real da aventura. “Aquela tomada foi realmente uma das mais difíceis de fazer. Além do perigo, havia o lado do mal-estar. O mar jogava muito e eu comecei a marear”, conta. “Foram quatro dias de tempestade, mas isso concentrado chega a parecer quatro meses”.

O mundo em duas voltas registra a última aventura da pequena Kat, falecida em maio de 2006, aos 13 anos. Filha de um casal neozelandês amigo de Vilfredo e Heloísa, Kat “embarcou” na família Schürmann aos 3 anos, a pedido do pai, logo após a morte da mãe da menina. “Como ele não podia cuidar dela como gostaria, nós a adotamos e nos tornamos pais da Kat e foi uma das experiências mais emocionantes das nossas vidas”, conta Heloísa. “Ficamos muito felizes e orgulhosos de ter tido a oportunidade de conviver com ela”, diz. E depois da aventura nos cinemas, os Schürmann já se preparam para içar velas novamente. “Quanto mais tempo passo navegando, mais quero ficar no mar”, diz Heloísa. A próxima aventura ainda é segredo, mas deve começar em 2008. “Só posso dizer que será inédita”, garante David.

(Alexandre Gonçalves, revista Pesca, Navegação e Lazer, maio de 2007)


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2 comentários:

  1. Anônimo10:07 AM

    Muito legal!

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  2. Anônimo1:17 PM

    NESSE FINAL DE SEMANA TIVE A OPORTUNIDADE DE ASSISTIR. O INTERESSANTE É QUE DIVERSAS VEZES ME COLOQUEI COMO O COMANDANTE , DE TANTO ENVOLVIMENTO COM AS CENAS. SÓ SEI QUE É COISA MUITO SÉRIA, APESAR DE MOSTRAR LUGARES LINDOS E MARAVILHOSOS
    LUIZ CARLOS
    SÃO PAULO

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