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sábado, 19 de maio de 2007

Discoteca básica

A MTV está exibindo uma série chamada Discoteca Básica MTV (toda sexta, às 21h30min) para contar histórias por trás de doze discos do rock brasileiro. É um programa para cada disco. A série começou com Lobão (Ronaldo foi pra guerra), seguiu com Chico Science e Nação Zumbi (Da lama ao caos), Planet Hemp (Usuário) e Ultraje a Rigor (Nós vamos invadir sua praia). Ontem, assisti ao programa sobre Vivendo e Não Aprendendo, clássico do Ira!, lançado em 1986. Teve um clima de “tira-teima” com depoimentos da banda e do produtor Liminha, que tiveram uma relação bastante conflituosa durante a gravação do disco. Ainda assim, mesmo aos trancos e barrancos, Vivendo e Não Aprendendo é um grande disco. Um dos meus preferidos e tema de uma das micro-crônicas que escrevi no blog Vinil no Prato, que publiquei entre 2003 e 2004 e já reproduzi aqui no Coluna Extra. Aliás, além do disco do Ira!, escrevi também sobre outros quatro discos que estão no pacote da MTV: Nós vamos invadir sua praia (Ultraje a Rigor), Cabeça Dinossauro (Titãs), Revoluções por minuto (RPM) e Selvagem? (Paralamas do Sucesso). Como gosto muito da idéia, reproduzo abaixo esse pequeno revival, direto do Vinil No Prato.
O primeiro disco... Até meados da década de 1980, todos os discos que escutava ou eram do meu pai ou da minha irmã mais velha. Só entre 1984 e 1985, quando comecei a me interessar ainda mais por música, no auge do rock brasileiro, é que comecei a querer os meus discos de vinil. Tinha 12 anos. O clima da época era propício: Blitz, Armação Ilimitada, Rock in Rio... E aí, no dia 23 de dezembro de 1985 ganhei meu primeiro disco, como presente de Natal. Comprado na Fabi Discos, do ARS: Nós vamos invadir sua praia, do Ultraje a Rigor, o melhor disco daquela década e até hoje um dos melhores da história do rock nacional. (Publicado em novembro de 2003)

Marylou arranhada... A empolgação com o disco era grande. A maioria das músicas tocava nas rádios. “Ciúme”, “Rebelde Sem Causa”, “Inútil”, “Independente Futebol Clube” (minha preferida). Quem não lembra? E para ajudar na curtição, naquele mesmo Natal, meu pai ganhou um 3x1 animalesco da Philips (que na época fazia festa por causa dos 100 milhões de televisores vendidos - tem um disco com o jingle da campanha). Ótimo motivo para colocar o meu disco e testar aquelas caixas gigantes, comparando com aquela vitrolinha de outros tempos. Só que na estréia do som e do disco, uma derrapada provocou um acidente de grandes proporções. Ao levantar a agulha para mudar de música, acabei arranhando o trecho do solo de “Marylou”. Pior, na manobra mal executada, quebrei a agulha de diamante! Até que meu pai resolvesse comprar um nova agulha - muito cara - passaram-se uns bons muitos meses. (Publicado em novembro de 2003)

Tabus e irmãs... Nos anos 80, outro disco teve um impacto tão forte quanto o do Ultraje a Rigor: Cabeça Dinossauro, dos Titãs. Grandes músicas: “O quê”, “Polícia”, “AA-UU”, “Porrada”, “Homem-Primata”, “Bichos Escrotos”, entre outras. Pedi o disco de presente lá em casa. Só não contava com o “espírito de porco” de uma de minhas irmãs que, por alguma besteira que eu havia dito para ela, fez campanha contra o disco para os meus pais: “Esse disco tem música que fala mal da igreja, de Deus”. Pronto, para os pais católicos que tentavam convencer o filho adolescente a ir mais à missa era a heresia suprema. Fiquei sem o disco (mas também não voltei a freqüentar a igreja!!!). (Publicado em dezembro de 2003)

Volto a ter 15 anos... Sem Cabeça Dinossauro, escolhi um outro disco para ganhar: Vivendo e Não Aprendendo, do Ira!. Só para dizer o mínimo: acabei encontrando a minha banda brasileira preferida. Ouvir “Envelheço na Cidade”, “Dias de Luta”, “Vitrine Viva”, e, especialmente, “XV Anos”, me fizeram mergulhar ainda mais no mundo da música e a compreender melhor algumas coisas na vida. Sério! Um verso como “quando me sinto assim, volto a ter quinze anos / começando tudo de novo vou me apanhar sorrindo”, não se ouve toda hora. E hoje, aos 30 anos (N.E.: na época do Vinil No Prato), esse sentimento de volta, tem um peso importante para ir adiante. (Publicado em dezembro de 2003)

Passei por cada papel... A notícia de uma nova confusão envolvendo o RPM, divulgada em dezembro (N.E.: de 2003, outras vieram depois :)), me fez lembrar a lição de economia que ganhei ao comprar o primeiro vinil da banda, aquele de capa amarela. Explico. O RPM estava começando a estourar com “Loiras Geladas” e “Rádio Pirata”. Vi o disco em promoção na Fabi Discos do ARS, aqui em Florianópolis, por 40 cruzados. Beleza. Estava de férias na praia. No dia seguinte, a turma toda iria para o centro ver um filme. Aproveitei e peguei um adiantamento da minha mesada para comprar o disco ainda na promoção. Dinheiro no mão, chego na loja e surpresa: a disco havia saído da promoção e agora custava o dobro. Estava desistindo da compra, mas um primo insistiu para me emprestar o restante para eu levar o disco. Resisti, mas acabei aceitando. Levei o disco. E quando cheguei em casa, levei uma mijada (leia-se: uma lição de economia...) do meu pai. “Dinheiro emprestado? E como é que você vai pagar o empréstimo?”. Fez sentido. Ele pagou. (Publicado em janeiro de 2004)

Aceitei, me engajei... Acabei de ler a biografia autorizada dos Paralamas do Sucesso, escrita pelo jornalista Jamari França. A leitura é difícil. O texto é muito largado e parece um grande clipping tamanha a quantidade de citações de reportagens publicadas sobre a banda. Sem contar imprecisões e erros grosseiros como dizer que RPM, a banda, quer dizer Rotações Por Minuto, quando, na verdade, é Revoluções Por Minuto, e que a música da Plebe Rude que tira sarro de Herbert Vianna é “Até Quando Esperar”, sendo que a música correta é “Minha Renda”. Bom, de todo o modo o livro me fez buscar na memória o meu primeiro vinil dos Paralamas: Selvagem? Não lembro bem o que me levou a comprá-lo. Acho que gostava de “Melô do Marinheiro”. Mas acho que a motivação era ter o disco antes de um primo que tinha o clássico O Passo de Lui, o segundo da banda e tão bem sucedido quanto o primeiro do Ultraje em termos de quantidade de discos vendidos. Fora essa competição entre primos, Selvagem? é um disco realmente interessante. “Alagados”, “Selvagem”, “O Homem”, “A Dama e o Vagabundo”, “A Novidade” e “Melô do Marinheiro”, que se não salvaram o rock brasileiro, pelo menos abriram muitas portas por onde passaram bandas bacanas como Chico Science e Nação Zumbi, por exemplo. (Publicado em janeiro de 2004)
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2 comentários:

  1. Muito legal Alex! Todos álbuns clássicos hein. RPM- Revoluções por Minuto foi o primeiro grande show que assisti, levado por meu tio, no AutoCine em Balneário Camboriú. O rock rolava intensamente. A gente decorava até a letra de Faroeste Caboclo hehehe. Um abraço

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  2. Ótima essa aula de rock brazuca. São discos clássicos, cravejados na história da música do nosso país. Uma hora tiro um tempo pra postar também sobre minha ligação com os clássicos oitentistas, como a descoberta do Titanomarquia, o Longe Demais das Capitais e o álbum do Rock In Rio II.

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