Blogar e empreender - Coluna Extra

Primeiro Digital - o blog do jornalista Alexandre Gonçalves

Destaques do site Farol Reportagem

Destaques do Laranjas - A verdade até as primeiras consequências

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Blogar e empreender

Blogs como alternativa para jornalistas e empreendedorismo no jornalismo são dois assuntos que volta e meia aparecem aqui no Coluna Extra e pelos quais tenho grande interesse em acompanhar. E com satisfação nas últimas semanas recebi dois e-mails de estudantes de jornalismo com questionários para trabalhos acadêmicos justamente sobre blogs e jornalistas empreendedores.

No primeiro, para uma pesquisa de Iniciação Científíca com o objetivo de traçar um panorama sobre os blogs brasileiros, a estudante Mariana Tavernari, da ECA-USP, enviou 20 perguntas sobre motivos para blogar, linguagem utilizada, vantagens para a carreira profissional, entre outros temas. Conversando hoje com a Mariana soube que nem todos os blogueiros que receberam o questionário enviaram suas respostas. E que entre os que enviaram, a maioria é de jornalistas blogueiros, o que na minha opinião é um dado que sugere, no mínimo, um interesse da classe pela ferramenta.

Já o outro questionário veio de Micheline Ceres Tams, estudante do Curso de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, da Universidade de Santa Cruz do Sul (RS). Como trabalho de conclusão, ela escolheu o tema “Jornalista Empreendedor”, abordando a importância de se estudar empreendedorismo na faculdade de jornalismo. “Estou levantando essa discussão dentro da universidade, pois acredito que no nosso curso deveríamos ser incentivados a nos tornar além de jornalistas também empreendedores”, escreve ela.

Nesse caso, além de responder algumas perguntas, também indiquei a comunidade no Orkut e os posts da série Jornalistas por conta própria que publico aqui no blog, além de sugerir também que ele entrasse em contato com a coordenação da Faculdade Estácio de Sá, que oferece disciplina sobre Empreendedorismo em Comunicação.

Assim que a pesquisa e o trabalho forem concluídos e apresentados irei publicar os principais dados no Coluna Extra.

Tags: , ,

5 comentários:

  1. Alexandre, pode parecer preconceito meu, mas sempre achei essa história de "empreendedorismo" uma baita picaretagem. Digo, o que vendem como empreendedorismo. O que vem a ser jornalista empreendedor? Ás vezes não passa de eufemismo para desempregado. Eu não sei, mas julgo empreendedor o cara que tem iniciativa. Perdeu o emprego com carteira assinada? OK, vai batalhar outra coisa. Até porque, hoje em dia, emprego formal é raridade. Empreendedor não é o cara que sai da faculdade e vai abrir uma assessoria de imprensa sem nunca ter botado os pés numa redação de jornal. Empreendedor é o cara que consegue ganhar dinheiro prestando um bom serviço com seus conhecimentos. Parece-me, na verdade, um sinônimo para freelancer - o que no Brasil ainda é visto como o cara que está desempregado. Talvez tenha sido assim lá atrás, mas hoje há cada vez mais freelancers por aí por opção própria. É o meu caso. Larguei emprego no Valor pra frilar em SC. Maluquice? Pode ser, mas acho que consigo "empreender" aqui e levantar uma grana perto da que ganhava em São Paulo. Enfim, não acho ruim que nós, jornalistas, nos tornemos "empreendedores". Estamos sendo forçados a isso. Mas só gostaria de frisar que para ser "empreendedor" o coleguinha precisa ter boa formação. Antes de saber administrar, precisa saber escrever. E acho que as escolas estão negligenciando isso. Estão ensinando como abrir um negócio, em detrimento de como escrever um textinho básico.
    abs

    ResponderExcluir
  2. É o que você disse: empreendedor é quem tem iniciativa. Mas nem sempre o empreendedor (ou quem quer ser um) sabe como fazer essa iniciativa se materializar e se transformar em rendimento. E sobre ter iniciativa no jornalismo, acho pouco abrir assessoria (mais uma?????) ou ser free-lancer. Por isso o assunto empreendedorismo pode e deve ser tratado no curso de jornalismo - NUNCA negligenciando o ensino de funções e habilidades primordiais ao exercício da profissão. Uma disciplina sobre isso pode ajudar a ampliar as possibilidades pós-faculdade (não para que seja aberta uma empresa no dia seguinte à formatura, mas para que o jornalista tenha alternativas diante de um mercado que contrata pouco e paga mal). E, claro, pode estimular a importância de ter iniciativa. Mas tudo isso é tema para uma boa discussão.

    ResponderExcluir
  3. PH, não sei se poderia utilizar free-lancer como sinônimo de empreendedor. Mesmo porque creio que a pessoa pode ser empreendedora onde estiver, mesmo empregada. Mudar uma rotina dentro da empresa, ser reconhecido por idéias inovadoras entre a mesmice do dia-a-dia, é empreender e se diferenciar.

    Claro que um free-lancer com perfil empreendedor estará muito melhor no mercado do que aquele que não consegue impor seu trabalho, criar relacionamento, inovar na prestação de seu serviço, enfim, ser eficiente naquilo que se propôs a fazer. Isso sempre demonstrando qualidade, consequente de uma boa formação não só em textos, mas em outras mídias também.

    Bom, eu me encaixo no perfil do "cara que sai da faculdade e vai abrir uma assessoria de imprensa sem nunca ter botado os pés numa redação de jornal". Mas isso não quer dizer que com essa minha condição profissional (recém-formado sem experiência de redação) eu não "consiga ganhar dinheiro prestando um bom serviço com os meus conhecimentos". E empreender para mim não foi uma alternativa diante de estar desempregado ou não vislumbrar oportunidade de emprego. Pelo contrário, haviam oportunidades, estava empregado (na Knowtec - o Giancarlo falava muito de ti) e acreditei que naquele momento abrir meu negócio poderia ser uma. Isso faz um ano, por enquanto está tudo ido bem com a empresa, mas não sei o que me espera amanhã. O importante é eu manter minha empregabilidade. Poderia ter continuado onde estava, tendo uma rotina razoável, tendo contato diário com as mesmas pessoas ou fazer o que fiz: abrir o leque e passar a me relacionar com o mercado, com empresas e com empresários. Busquei ainda me diferenciar no mercado - atendo empresas e entidades do setor de tecnologia aqui de Florianópolis, onde já atuei em alguns lugares. Foi uma opção. Daqui a alguns anos poderei dizer se deu certo ou não, pelo menos arrisquei.

    Quanto a questão da formação enfatizada pelo Alexandre, não sei se a faculdade de jornalismo é o melhor ambiente para se ensinar empreendedorismo. Se a pessoa quer se aperfeiçoar nisso, pode procurar entidades como o SEBRAE, que possuem ótimos cursos nesta área. O que a faculdade pode trazer é seminários para se discutir o assunto, mostrar casos de sucesso de jornalistas que tenham empresa ou que atuam como free-lancer e sobrevivem a este fechado mercado. Além disso, o formado só terá alternativas no mercado se estiver capacitado para atuar como jornalista, ter um bom texto, ter conhecimento, cultura, enfim, tudo aquilo que já sabemos, e não saber empreendedorismo e como se abre uma empresa. Isso é conseqüência.

    Mas a discussão é boa... continuemos!

    ResponderExcluir
  4. A discussão é boa mesmo :)
    Minha intenção foi exatamente esta: provocar uma discussão. E só fiz isso aqui porque considero este um espaço sério para discussão sobre o que vem a ser empreendedorismo. E é um blog ao qual recorro com freqüência quase diária para me atualizar sobre o "mundo virtual". O que eu quero dizer - e talvez não tenha ficado claro - é que vejo a palavra "empreendedorismo" como mais um lance de marketing do que outra coisa. Porque se você considerar tudo "empreendedorismo", o conceito vai se esvaziar. Quando você diz que o empregado também pode ser um empreendedor, ao mudar as suas rotinas, vejo nisso um alargamento exagerado do conceito de empreendedor. Isso se encaixaria mais no lance da iniciativa, ou, se preferir, inovação. O cara é inovador. Pode parecer uma discussão etérea, mas me incomoda chamar qualquer iniciativa de empreendedorismo. Talvez o meu conceito de empreendedor seja muito estreito? Talvez. E não sou contra ensinar "empreendedorismo" na universidade, não, mas acho um exagero enorme (perdoem-me a redundância) uma escola focar seu marketing nisso. Para mim, isso será uma conseqüência da boa formação do jornalista. Sabe trabalhar? Então terá lugar ou numa redação, ou numa assessoria ou na Knowtec, que deve ser um ótimo lugar para trabalhar. Eu começaria sugerindo um aproveitamento da disciplina de administração jornalística (tenha ela o nome que tiver). Mas o curso de jornalismo deverá ter não mais do que duas disciplinas sobre o tema. Essa é uma disciplina ministrada por professores de administração que nada conhecem do negócio jornalístico. Quanto custa o papel e como está estruturado o mercado? E a logística de distribuição? E os custos de pessoal? Como abrir um pequeno negócio? Isso poderia ser bem estudado em duas disciplinas - a segunda optativa. O newseum tem cursos online muito bons.
    abraço

    ResponderExcluir
  5. Gente, passei por várias experiências nestes meus 20 anos de profissão, e concordo com vários dos argumentos aqui expostos. Prego o fim do preconceito e defendo que todos abram bem os olhos porque o mundo todo está vivendo uma reviravolta e não sabemos onde é que a coisa vai parar. Uma hora o diploma de jornalista volta a valer, na outra já era. Nem mesmo uma discussão equilibrada a gente consegue manter em relação a esta profissão, dita liberal, e que na qual pulula uma leva de proxenetas e outros quetais. Já tive carteira assinada, nome no Diário Oficial, empresa e outros que tais. No entanto, no frigir dos ovos, o que vale é o talento pessoal para sobreviver nesta selva que é o mercado. Conhecimento é essencial, e sempre será. Que muuuuuita gente ganha dinheiro com esta história de empreendedorismo, o ph tá coberto de razão. No entanto, acho que este conceito passa longe - mas muito longe mesmo - do conhecimento da esmagadora maioria dos brasileiros que precisam garantir hoje o prato de comida de amanhã. A discussão passa por muitas vertentes, e deve ser ampliada. Afinal de contas, a imprensa neste país vem descendo a ladeira há muito tempo. Temos sempre que levar em conta, na minha opinião, que há sempre uma pessoa por trás de um profissional, seja ele empreendedor ou não. Cabe a cada um de nós construir sua própria história, para que nosso "valor de mercado" - o palavrinha cruel - possa nos ajudar a conquistar nossos sonhos.

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário