“O Brasil tem mentes brilhantes no jornalismo online” - Coluna Extra

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segunda-feira, 24 de julho de 2006

“O Brasil tem mentes brilhantes no jornalismo online”

0Fundador e editor do site Jornalistas da Web e colunista de jornalismo online do portal Comunique-se, o jornalista Mario Lima Cavalcanti acompanha de perto a relação do jornalista brasileiro com a internet. “O Brasil possui jornalistas que são verdadeiros investigadores das mídias digitais”, afirma. Em entrevista exclusiva para o Coluna Extra, além de analisar o desempenho de profissionais e veículos, Cavalcanti também avalia a formação para trabalhar com mídia digital, as ferramentas para cativar os leitores e o papel dos blogs como meio jornalístico.

Coluna Extra - Na sua avaliação, quais as principais virtudes do jornalismo online brasileiro na atualidade? E os defeitos?

Mario Lima Cavalcanti - Em se tratando de pessoas, posso dizer que temos excelentes profissionais nessa área. O Brasil possui jornalistas que são verdadeiros investigadores das mídias digitais. É o que eu vejo diariamente. Podem não ser muitos, mas o país tem mentes brilhantes na área sim. Em termos de veículos, alguns procuram explorar as potencialidades do meio, mas, no geral, quando o assunto é hard news - e aqui não sei se cabe classificar como defeito -, é igual ao resto do mundo: noticiários geralmente alimentados pelas principais agências de notícias.

Coluna Extra - Como você analisa a relação entre a formação profissional e o mercado de trabalho no jornalismo online? A preocupação com a formação para esse meio já é uma realidade? E o mercado busca profissionais com uma formação específica?

Cavalcanti - A coisa toda está evoluindo nesse sentido. Vejo cada vez mais estudantes e jornalistas interessados no meio online buscarem especialização na área. O mercado, naturalmente, começa a se tornar mais exigente nesse sentido e procura dar valor a quem possui uma formação mais voltada pro meio, para quem já teve experiência em veículos digitais etc. Há cerca de dez anos, por quase não existir cursos e disciplinas ligadas exclusivamente a esse meio, dava-se muito valor a quem o conhecia, a quem era “rato de internet”. Não digo que isso mudou, mas o mercado hoje já pode exigir isso “por escrito” (diplomas, certificados etc).

Coluna Extra - Em termos de relação com os leitores, que estratégias têm sido mais positivas no sentido de atrair e manter audiência diante da oferta de tanto conteúdo?

Cavalcanti - Creio que oferecer formas de acesso (edições móveis, versões em RSS, newsletters) e de participação (comentários, contribuições, interatividade) já seja um bom passo para cativar quem está ali consumindo a informação. A criatividade em prol da informação (jogos, programas de fidelização, novamente a interatividade) também é algo que costuma ser atraente quando bem produzido e executado. Por último - e não necessariamente nessa ordem -, o investimento em conteúdo exclusivo (colunas de opinião, tratamento diferenciado dado ao noticiário, vitrine de artigos, etc.) é algo que deve ser seriamente pensado em ser explorado.

Coluna Extra - Que peso o uso de ferramentas como o RSS tem nessa relação com o leitor? O RSS traz mais vantagem para o site do que o envio de notícias por email?

Cavalcanti - O RSS e outros modelos de distribuição de conteúdo - como o Atom - caíram do céu para acompanhar a “overdose de informação”. RSS hoje em dia é essencial. Vai além de contribuir com a audiência, vai além de ser mais uma opção para o leitor. Na internet, só leio notícias a partir de leitores de webfeeds. Por aí você já pode tirar conclusões. A facilidade e a proposta do padrão realmente me conquistaram. E conquistaram os principais jornais do mundo todo. É um padrão que anda de braços dados com a chamada “Era da Informação”.

Coluna Extra - Por fim, gostaria de um comentário seu sobre o resultado da pesquisa que indicou que as pessoas criam blogs mais por hobby do que por interesses jornalísticos. Ainda assim, na sua opinião, os blogs podem representar uma nova forma de jornalismo?

Cavalcanti - Eu recebi essa notícia com naturalidade. O ser humano sente a necessidade de se expressar, de se comunicar, mas ele não precisa publicar notícias e nem se transformar em um veículo noticioso para isso. Para uma pessoa, falar sobre sua vida ou opinar sobre coisas que lê no jornal pode ser o mais importante para ela. Pode ser o suficiente para ela se tornar uma pessoa mais feliz. E é óbvio que isso é comum. Weblog surgiu também com a proposta de ser um canal pessoal. Lembra do rótulo “diário virtual”? Muita gente o usa dessa forma. E tem que ser assim, um espaço natural, que satisfaça o desejo de expressão do dono do blog. Seria monótono se todos os weblogs fossem veículos noticiosos. Em relação à segunda pergunta, weblogs são ferramentas de publicação de conteúdo. Fazer uma relação direta de blogs com jornalismo é algo incoerente. Um telefone celular é jornalismo? Percebe a incoerência da questão? Um telefone celular não é jornalismo, mas pode carregar conteúdo noticioso. Televisão não é jornalismo, mas pode ser usada para relatar fatos. O mesmo aplica-se aos weblogs. Um blog pode ser sim uma excelente fonte de informação, pode ser sim um veículo noticioso.

3 comentários:

  1. Alexandre, ótima a entrevista. Acho que o jornalismo online vai se expandir ainda mais se primeiro as redações passarem a utilizar melhor a internet para a apuração jornalística. Já usam, claro. Mas poderiam usar melhor as ferramentas que a rede pode oferecer, fazendo com que esta nova cultura possa naturalmente reforçar o jornalismo feito especificamente na rede.

    Vou indicar no meu blog a entrevista. Um abraço!

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  2. Oi, Ale! Tudo bem por aqui?

    Eu também gostei da entrevista e fico contente que o pessoal está 'acordando' para o jornalismo interativo. Parabéns a você e ao Cavalcanti!

    bjsss

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  3. Material muito interessante, ainda mais com um tema que tanto tem se misturado ao meu trabalho. Cristina Dissat, blog Fim de Jogo.

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