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quarta-feira, 5 de julho de 2006

Brasil > Felipão > Portugal

Sobre Portugal e França:
11 homens e um segredo, 12 homens e um destino
por Fernanda Barbosa Toesqui

Hoje, somos todos Felipão! Aliás, todos os dias! Mais do que portugueses, mais do que brasileiros, muito mais do que do Sul somos Felipão!

Teremos hoje nossa alma lavada, enxaguada com amaciante! Cheiro melhor do que “roupa limpa”, depois da sujeira que fizeram com a gente, não tem! Serão doze homens em campo...e um destino: a vitória. Caso perca, é vitória do mesmo jeito. Mas, não perde, não! Entrará em campo uma seleção de doze, que perdendo ou ganhando, vai marcar, marcar a bola, marcar gol! E não marcar bobeira!

Digo doze, porque Felipão é o cara! Leva uma nação junto com ele. Felipão é nação. Não é apenas mera rima no aumentativ. E olha que diante do diminuto time, melhor, grupo, que TEORICAMENTE nos representava, estou aceitando todos os exageros. Aceito voltar a ser colônia, aceito trocar minha bandeira e meu hino: portuguesa com certeza!

Me torno mais brasileira assim! Me identificando com minhas origens e com antigas expedições. Quando em campo, nossas “entradas” foram sofríveis, nossas “bandeiras” caíram por terra. Nossos heróis são meras celebridades, que nos convencem a beber tal cerveja, a depositar nosso dinheiro em tal banco. Mas, o que vamos beber diante dessa sede de vitória? Onde depositaremos nossa esperança? Com certeza não nesse time! Não nessas celebridades.

Tivemos onze homens e um segredo bizarro em campo: o segredo guardado a sete chaves era nosso bom futebol! O futebol que temos aqui, que na minha singela opinião é como uma plantinha, uma vegetação específica, que só floresce no Brasil. Aqui, nossas condições propícias de temperatura e pressão, clima adequado, coração no fundo dos olhos, é que brota pelas ruas, nas praias, no campinho atrás da igreja, no asfalto ao lado da favela. Nasce, floresce o bom futebol. Melhor do mundo é o nosso futebol. Mas, naquele sábado, resolvemos guardá-lo religiosamente no bolso, na máscara, na garrafa de cerveja, de guaraná, depositamos, sem resgate, no banco de nossas celebridades.

Ouvimos a mesma França cantando “La Marseillaise”, a plenos pulmões como em 1998. Nossos risonhos lindos campos não têm mais flores. Vimos nascer em terras européias o nosso bom futebol, dando num pé errado, que não usa amarelo. Esperemos paz no futuro, porque nossa glória ficou no passado.

Futebol é a guerra que me permito. Tenho fé no artilheiro! Meu goleiro é muralha intransponível. Os embates devem ser sempre honrados. Nossas táticas bem pensadas. Somos todos ataque. Nossa defesa é sensacional. Mas, essa última batalha foi inglória.

Não é à toa que amor e vitória se conquistam. Por melhor, mais bonito, mais glorioso que você seja, não ganha. Você tem que conquistar: amor e vitória. Ganhar é de mão beijada. Ganhar é de bola parada. Vitória é partir pra cima, de peito aberto. Matar no peito a bola e não a esperança. Levando consigo o teu povo, a tua origem.

Então, hoje, o espírito de já ganhou que exalamos para Felipão é apenas para se beijar seus pés. Pés que conduzem o nobre e valente exército lusitano para seu único destino: a vitória. O exército de doze homens sem segredos, sem estratégias mirabolantes, sem geometria de guerra, sem contratos milionários. Apenas vão jogar bola! Jogar bem, com vontade, sangue nos olhos para conquistar com amor a vitória.

Que Portugal saiba, que hoje, com Felipão, dos filhos deste solo és mãe gentil e que 180 milhões de corações te dão de bandeja a taça do mundo, que um dia foi nossa. Não a merecemos mais. E salve a seleção portuguesa. Salve, Salve!

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