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sexta-feira, 16 de junho de 2006

Brasileiros e argentinos

Da Agência USP de Notícias:
Rivalidade de brasileiros e argentinos cresce a cada jogo com estímulo dos jornais
por Júlio Bernardes

No futebol, quando o jogo é entre Brasil e Argentina, a imprensa alimenta a rivalidade entre os dois países. A constatação é feita pelo jornalista André Luís Nery, que é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam) da USP. Ele está comparando a cobertura dos jornais Folha de S.Paulo (Brasil) e Clarín (Argentina) em relação à participação das duas seleções nas Copas do Mundo de 1986 e 2002. O jornalista deverá defender sua dissertação em 2007.

Embora admita que as ofensas racistas tenham provocado sérios desentendimentos entre as duas seleções, especialmente nas décadas de 1920 e 1930, o pesquisador ressalta que, na verdade, a rivalidade está no campo e se renova a cada confronto entre ambos. “A troca de ironias está presente nos dois jornais”, destaca. “No Clarín, isso é percebido até nas reportagens, enquanto na Folha está mais restrita aos artigos opinativos.”

Nery revela que antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a maior rivalidade do futebol brasileiro na América do Sul era com o Uruguai. “Depois de os argentinos terem goleado a seleção brasileira por 5 a 1, em 1939, no Rio de Janeiro, surgiu uma certa idolatria pelo jogador argentino, como aponta o jornalista Mario Filho, e tornou-se comum os clubes brasileiros trazerem jogadores daquele país”, conta. “Os incidentes na final do Sul-Americano de 1946, em Buenos Aires, fizeram os dois países romperem relações futebolísticas por dez anos e deram impulso à rivalidade.”

O pesquisador ressalta que, entre 1958 e 1970, o futebol brasileiro atinge seu apogeu, conquistando três títulos mundiais. “Ao mesmo tempo, a economia brasileira tem crescimento acelerado, enquanto a Argentina entra em declínio após a queda de Perón, em 1955, acompanhado por maus resultados de sua seleção nas Copas”, relata. “A conquista brasileira de 1958 diminui os questionamentos sobre a capacidade dos jogadores negros, que levara à importação de atletas argentinos.”

Nos anos 80, após passarem por ditaduras militares, Brasil e Argentina se redemocratizam e iniciam um processo de integração com a criação do Mercosul. “Isto se reflete na imprensa, pois surge uma maior preocupação em cobrir a seleção rival”, diz.

André Nery aponta que a cobertura da Folha na Copa de 2002 era muito favorável à Argentina. “Como a seleção brasileira era muito questionada, os argentinos eram apontados como modelo a ser seguido pelo Brasil”, conta. “Mas depois da eliminação argentina na primeira fase, a Folha foi mais crítica do que o Clarín, que estava preocupado em não golpear o moral da população, abalada por uma grave crise econômica e política.”

No jogo Brasil x Inglaterra, nas quartas-de-final, uma pesquisa do Clarín apontou que a maioria dos argentinos torceria pelos brasileiros. “Os ressentimentos com a derrota militar para os ingleses na Guerra das Malvinas (1982) ainda são fortes e repercutem no futebol“, explica, “criando uma rivalidade mais forte do que com o Brasil.”

Segundo o pesquisador, o jornal argentino preferiu atribuir a conquista brasileira em 2002 ao fato de o time ter enfrentado adversários fáceis e a supostos benefícios da arbitragem. “Esta abordagem despreza a competência da equipe brasileira ao destacar o fator sorte como mais importante para a vitória na Copa”, diz. “A cobertura também foi muito individualizada, centrada em Rivaldo e Ronaldo, semelhante ao destaque dado pela Folha a Maradona entre 1986 e 1994.”

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