7 notas EXTRA - Coluna Extra

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terça-feira, 13 de dezembro de 2005

7 notas EXTRA

Sobre o texto de Joaquim Ferreira dos Santos a respeito dos Beatles, citado na edição # 21 da coluna 7 notas, publico abaixo o comentário do jornalista e poeta Nei Duclós:
É lamentável que o autor do texto abrace o que condena naqueles que manifestam a dor pela perda de John: o fundamentalismo. Espero que, depois da morte de Paul, ele não seja acusado de viúva. Como o texto é grosseiro (debocha da morte ao desejar paz no campo de morangos)nem deveria ser analisado. Mas é importante colocar algumas coisas:

1. A maravilhosa dupla Lennon-McCartney é muito maior do que as partes que a compõem;

2. A introdução sionfônica na música dos Beatles é obra de George Martin, o Quinto Beatle;

3. “I´m the walrus” foi uma música composta por Lennon logo depois que ele soube que as letras dos Beatles estavam sendo analisadas nas escolas. “Vamos ver se eles conseguem decifrar isso”, disse. Ou seja, sua criptografia nessa música é proposital;

4. O que deve se destacar é que Lennon era um artista completo e seu trabalho atingia todos os níveis da linguagem, desde a poesia até a entonação de voz, a melodia. É um artista de vanguarda, que além de participar da revolução promovida pelos Beatles teve brilhante carreira solo, não restrita a “Imagine”;

5. O Maharashi foi obra de George Harrison, mas isso não o desqualifica. É preciso ver a época, de busca de saídas para o pesadelo da guerra e da ditadura dos costumes (era preciso implodir os hábitos e ainda promover a paz). Houve muitos equívocos, mas também muitos acertos;

6. Vivi no tempo em que, todo ano, saía um disco novo dos Beatles. Nunca fizemos distinção entre um e outro Beatle. Gostávamos de todos e só lamentamos a perda prematura de John. Isso não torna ninguém viúva de ninguém. Nem sempre a admiração pode ser confundida com babaquice. A não ser que haja pessoas como o autor do artigo, que prefere atacar as pessoas usando seus preconceitos e assim se transforma no pesadelo que ele mesmo critica.


Nei Duclós

2 comentários:

  1. Compartilho da opinião de Joaquim Ferreira dos Santos. Paul sempre foi melhor, embora Lennon tivesse mais charme rebelde. Não acho que o texto seja grosseiro. O autor teve o cuidado inclusive de publicá-lo, como explica, na semana seguinte ao aniversário da morte de Lennon, para não parecer que queria apenas estragar o lamento dos outros. Paul cantava melhor, e o próprio Lennon reconhecia isso. Foi também mais responsável pelas inovações dos Beatles, embora esse seu lado seja menos conhecido. E não há nada errado em preferir Lennon, Paul, George ou, como Marge Simpson, Ringo Starr.

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  2. Concordo com Lennon e Nei Duclós, Lennon era um artista completo. Mais do que isso, nesse aspecto de compreensão da vida e do seu papel, ele e Harrison (um pouco mais tardiamente) eram superiores. Paul sempre teve um imenso talento melódico e de "songwriting", mas seu ponto de vista era mais amigo do ego. A dupla foi uma providência divina, um marco histórico, musical e cultural, isso não se discute.

    O que não pode é comparar a visão e o amadurecimento do John, e seu talento completo, com o brilhantismo do Paul. Não tenho nada contra o Paul, se os dois tivessem no mesmo patamar talvez tivesse nascido alguma coisa ainda melhor. Sei que o Paul tem letrase músicas bem maduras, como Ebony & Ivory, mas em geral Paul tem uma tendência ao amor conjugal, enquanto Lennon ao amor universal.

    Ou seja, por "todos os níveis" que o Nei diz, eu incluo um ainda maior, que é o espiritual, a busca de uma vida humana decente, explicada, bem experimentada.

    P.S.: A ida ao Maharishi não foi um erro de sobremaneira, Harrison estava cumprindo sua missão (que foi elevada muitas vezes ainda depois disso, belamente). Mas quem absorveu mais da experiência interior (e não da exterior, por favor, não coloque defeitos na realidade) foi Lennon. FOi uma época riquíssima de composições, e o início de uma série de desenlaces decisivos (tb resultante de um contato genuíno).

    O que Lennon cantou e fez continua tão urgente e bonito quanto antes, é uma obra-prima. Isso não é saudosismo, se ele tivesse vivo eu iria com o mesmo entusiasmo (mais até, né) num CD ou num show dele. Paul é um grande artista, mas tortas flamejantes não tem a contemporâneidade da banda plástica da Yoko.

    And "well we all shine on".

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