Uma pequena história de um grande palco - Coluna Extra

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quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Uma pequena história de um grande palco

O jornalista Paulo Clóvis Schmitz lança hoje (24) a nova edição do livro Pequena História do Teatro Álvaro de Carvalho (Editora Insular), que resgata a história do tradicional teatro de Florianópolis. Além de seu papel na trajetória cultural da capital catarinense, o TAC, como o teatro também é chamado, é um dos patrimônios arquitetônicos da cidade, ainda que tenha sofrido inúmeras reformas ao longo dos seus 130 anos de existência.
O lançamento Pequena História do Teatro Álvaro de Carvalho acontece às 20h30min, no próprio teatro. E a pedido do Coluna Extra, Paulo Clóvis respondeu duas perguntas que tratam essencialmente do pouco uso do TAC.

Coluna Extra - O TAC sempre teve um papel importante na vida cultural da cidade. Mas isso mudou. Quando e por quê ele deixou de ter esse papel? O que mudou para o teatro ficar um tanto quanto relegado a segundo plano (muitas vezes mal cuidado ou com reformas demoradas
)?

Paulo Clóvis Schmitz - Acredito que ele começou a perder um pouco da atenção que sempre havia merecido após a inauguração do CIC, em 1982. Aí, as companhias de fora (por vontade dos produtores de espetáculos) passaram a se apresentar no que depois passou a se chamar Teatro Ademir Rosa. A razão mais óbvia é de ordem financeira: mais lugares, mais lucros. Outro fator, mais recente, foi o desleixo com que as questões culturais passaram a ser tratadas pelo Estado. Hoje, o TAC não tem diretor (o cargo foi extinto na última reforma administrativa), apenas um agendador de espetáculos, uma pessoa que cuida da pauta do teatro. O funcionário que faz isso é um excepcional cenotécnico e iluminador, mas não tem o cacife de alguém nomeado para dirigir a casa, com autoridade, autonomia e contatos lá fora para trazer bons espetáculos ou para criar uma programação de peso para os grupos locais. Na prática, a elaboração da pauta do TAC passa pela Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo e não raro obedece a critérios políticos ou de outra ordem. Além disso, as contantes reformas - que costumam ser demoradas - esvaziaram um pouco, pela falta de constância, a programação da casa. As pessoas acabam vendo no TAC mais um belo prédio recém-reformado do que uma casa que todo dia poderia oferecer uma boa opção de lazer e cultura.

Coluna Extra - Com as atuais condições (depois de mais uma reforma), na sua opinião, o TAC não poderia estar sendo mais aproveitado? O que falta: artistas ou interesse do gestor do teatro (governo do estado) em fazer do TAC um efetivo espaço público para manifestações culturais?

Paulo Clóvis Schmitz - A falta de um diretor prejudica o aproveitamento. A última reforma (que começou no governo passado e terminou neste) foi talvez a mais completa já realizada, mas depois disso não foram retomados alguns programas que ajudavam os grupos e, pelo preço acessível, levavam público ao teatro. Um deles é o TAC 18:30, que ajudou a projetar vários grupos de teatro, dança e música de Florianópolis. Sobre o que falta, creio que principalmente o interesse do governo do Estado, que gostaria de passar o teatro para o município só para gaster menos (o problema maior, neste caso, é que a Prefeitura tem menos poder financeiro para fazer as reformas, quando elas são necessárias). De parte dos artistas, o que se questiona é a indiferença, a apatia. Existe um movimento, um fórum de artistas e produtores culturais, mas ele está mais preocupado com o dinheiro da lei de incentivo do que com a implementação de uma política cultural séria e conseqüente na cidade e no Estado.

Um comentário:

  1. Adorei a notícia. Já reprsentei aí nesse teatro.
    Parabens pela preciosa informação cultural.

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