Esse tal de El Niño - Coluna Extra

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sábado, 10 de setembro de 2005

Esse tal de El Niño

(Chove lá fora.)
Ele ainda não chegou, mas é como se já fizesse parte da família. É que nem aquele primo chato que ninguém suporta e que manda cartas dizendo que está para chegar, mas que nunca chega. (Que alívio!).
Mas é só chover um pouquinho além da conta para todos temerem a visita do “primo”: Será que ele vem?
Até os seresteiros do bar do Tião, entre um chorinho e outro, vivem na expectativa:
- É, parece que é ele. Olha só esse vento?
- Claro que não. Esse vento não tem nada a ver com ele.
A verdade é que a chegada dele está repercutindo bastante em todos os jornais. Para alívio de certas dondocas e determinados playboys, ele não se contenta em aparecer em colunas sociais. Não nasceu para aparecer em notinhas, nem para freqüentar as altas rodas. Gosta mesmo é de página inteira, na geral, com fotos de arquivo, quadros e box. É um excêntrico. Adora causar impacto. Faz parte da sua natureza.
(A chuva está mais forte. Os relâmpagos e os trovões também).
De repente, tudo fica às escuras. Nenhum poste e nenhuma casa do bairro possui eletricidade. Enquanto o Aldírio procura a pomboca, acendo uma vela. Não, não vou rezar. A chuva parou. É, não era ele.
(Que alívio!).

***

Se tudo o que está se falando e escrevendo sobre o El Niño é verdade, temos muito com o que nos preocupar. As autoridades que se preparem. Não, não é para se preparar para aparecer mais na mídia. É para agir. É para prevenir e proteger a população das conseqüências do fenômeno. Sem omissão, por favor.


(Publicado no AN Capital em 1999, escrevi esse texto motivado pelo blábláblá em torno do fenômeno El Niño, um fantasma que assombrou a região Sul do Brasil especialmente naquele ano e que hoje parece fichinha perto dos estragos do Furacão Catarina e dos ciclones que atingiram cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.)

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