Jornalistas por conta própria - Coluna Extra

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quarta-feira, 6 de julho de 2005

Jornalistas por conta própria

1) A partir da sua experiência pessoal e do contato com outras pessoas de objetivos semelhantes ao seu, quais são as principais motivações que parecem estar associadas ao desejo de abrir um negócio próprio na área de jornalismo?

Alexandre Gonçalves - É uma questão muito pessoal. Depende muito do comportamento, da personalidade e das circunstâncias profissionais de cada jornalista. Como no caso de qualquer outro profissional, abrir uma empresa pode ocorrer por necessidade ou por oportunidade. Muitos colegas “viram” pessoa jurídica por uma questão de mercado, para atender uma exigência dos clientes. Não abrem uma empresa com um plano maior, digamos assim. Eu não quero abrir minha empresa apenas por essa motivação. Tanto que tenho um plano de negócios praticamente pronto, que tem um produto como carro-chefe e um rol de outros produtos e serviços que pretendo desenvolver e oferecer. Quer dizer, não quero apenas ganhar um CNPJ; quero ser dono de uma empresa, que pode começar apenas comigo, mas que tenha todo o seu crescimento traçado, incluindo a contratação de novos profissionais. E a motivação para isso vem da experiência de mais de dez anos na criação e coordenação de produtos de comunicação (revistas, guias, catálogos, livros, entre outros) e no contato com temas como marketing e empreendedorismo na condição de repórter, redator e editor de publicações nessas áreas. Por tudo isso, acredito que exista espaço, nichos de mercados que podem ser explorados por jornalistas-empreendedores, mesmo através de pequenos negócios.

2) Você acredita que abrir um negócio próprio pode ser uma alternativa para a diminuição dos salários e aumento da concorrência na área?

Alexandre - Alguns aspectos precisam ser analisados nessa questão. O principal é que houve um crescimento no número de faculdades de jornalismo, com uma oferta muito maior do que a demanda de mão-de-obra. Nesse aspecto, o aumento no número de jornalistas-empreendedores serve, num primeiro momento, para atender uma necessidade pessoal do profissional de se diferenciar dos demais, de abrir novas frentes de trabalho (não necessariamente emprego). Ainda que sejam pequenos negócios, também têm o caráter de gerar novas vagas. E dessa forma, ajuda também a dar conta da oferta crescente da mão-de-obra.

3) Você criou uma comunidade no Orkut só pra discutir projetos empreendedores na área de jornalismo. Acredita que há hoje um aumento de interesse por esse tipo de iniciativa?

Alexandre - Mesmo que o número de participantes ainda seja pequeno, comparado ao número de outras comunidades, eu avalio que haja sim um interesse crescente por empreender no jornalismo. Mas também acredito que a cultura do “frila” ainda prevaleça , o que não é ruim, claro, mas espero que essa proporção seja mais equilibrada.

4) Em sua formação acadêmica, quais são as principais lacunas que você identifica como barreiras para a realização de projetos empreendedores ou mesmo uma carreira free-lancer? Na sua opinião, os cursos de jornalismo deveriam se preocupar mais com esses aspectos?

Alexandre - Não acredito que seja necessário ensinar empreendedorismo no curso de jornalismo. Mas é importante que o horizonte profissional do jornalista seja ampliado na faculdade. Ou seja, na minha época, por exemplo, o jornalista era “encaminhado” para ser empregado, conseguir um emprego num veículo de comunicação, quase que para ser apenas repórter. No máximo, o “conta própria” era resumido a frilas e assessoria de imprensa. Na verdade, o jornalista pode ter uma atuação mais ampla, desde que se posicione no mercado como um especialista em informação, na captação e na formatação da informação. Pensando assim, as oportunidades certamente se multiplicariam diante de tantas áreas em que a presença de um profissional especializado em informação é necessária. No marketing, por exemplo. Estudando aspectos básicos no desenvolvimento do marketing de uma empresa é possível perceber uma brecha para a atuação de um jornalista como peça-chave na elaboração de um plano de marketing. Basta aprender a identificar oportunidades. E nesse aspecto, a faculdade teria o papel de enxergar essa realidade e ressaltar essas outras possibilidades para os futuros profissionais.

(Respostas minhas para perguntas de André Micalli de Campos, participante do tradicional Curso Abril de Jornalismo, formuladas a partir do conceito e dos tópicos da comunidade Jornalistas Por Conta Própria, criada por mim no Orkut.)

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