Vendo coisas - Coluna Extra

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quinta-feira, 8 de julho de 2004

Vendo coisas

Já estou vendo coisas
São os meus filhos cuidando de mim
Ah, se eu tivesse menos idade
Mais saúde ou algo assim
Ah, se eu tivesse a sua idade
Ou se sua saúde coubesse em mim

Horas são e forte
Outras horas eu não sei
Nomes, pessoas, lugares, fatos
Que eu não lembrei
Mas daqui a pouco vou lembrar

Coloque o seu dedo entre os meus dedos
E aprenda um truque
Do lado da venda, na boca da rua
Onde tudo se discute
Me desculpe, já é hora de chegar

Vou subir a escadaria
Vou chegar em casa cedo
Vou subir a escadaria
Vou chegar em casa cedo
Antes do fim do dia
Antes do sol partir eu vou chegar

Já não estou vendo coisas
São os meus filhos cuidando de mim


"Vendo coisas" é letra de uma música que escrevi nos últimos momentos de vida de meu avó, Manoel, há cerca de 13 anos. Escrevi a partir do que meus pais falavam do estado de saúde dele no hospital (os lapsos de memória...). E serve de homenagem ao relembrar lugares (“lado da venda, boca da rua”) e situações (o truque com os dedos) que vivi com ele. A escadaria citada fica na rua Clemente Rovere, aquela perto do Instituto Estadual de Educação, onde tem um posto Texaco na esquina, onde meu avó morava e onde nasci e morei até os 8, 9 anos.

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